Caetité: um olhar sobre a política contemporânea

Ontem chegou uma mensagem em meu celular. Trata-se de uma pergunta: “quais posturas espero dos líderes políticos para as eleições deste ano?” Confesso que estava pronto para digitar, “menos promessas irrealizáveis”. No entanto, queria uma resposta mais profunda, tal pergunta exigia mais, e resolvi colocar nesta coluna.

A princípio, não diria que espero, em sentido de aguardar algo, e sim em ações coletivas de participação protagonista da população para a edificação da cidadania em sua plenitude. Como diz a canção, “pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré, “quem sabe faz a horanão espera acontecer”. 

O eleitor precisa ajudar a construir objetividade e transparência na esfera pública. Precisa-se ter capacidade de instrumentalizar espaços de fala, inclusive em entendimento ao artigo quinto da Constituição Federal, o qual dá o direito da liberdade individual e capacidade de autonomia.

Persiste em Caetité, o desequilíbrio entre o “Eu” e o “Nós’”. De modo que existem poucas pessoas altruístas que visam o bem-estar coletivo utilizando seu perfil de liderança. A grande maioria se preocupa tanto com seus próprios problemas e vive em um estado de medo e egoísmo. Muito embora, a finalidade do poder é servir uns aos outros e não servir a si mesmo, quando esse último ocorre, há uma ruptura ética e social.

Admiro pessoas que se abrem as novas possibilidades. Olhares diferentes sobre a política. Um exemplo é conversar com alguém com percepções diferentes das suas. De forma respeitável, sem radicalizações e optar por diálogos e atitudes humanitárias. Têm-se, a oportunidade de refinar sua capacidade de compreensão, como também, reafirmar suas convicções ou estabelecer critérios para mudá-las. E tá tudo bem.

De certo, quanto mais nos doamos, mais recebemos de volta. É surpreendente e, de um valor inestimável, quando colhemos os frutos de um exaustivo tempo de espera. Enquanto não dermos nossas contribuições para Caetité nada de novo surgirá em nossa história, talvez isso doa profundamente e na busca por respostas se depare com novos modelos de gestão.

O principal desafio é planejar o poder político, a começar por territórios, os quais as pessoas vivem por meio da mobilização da cidadania. O propósito é que esses reaproximem do poder de escolhas sobre a própria vida, debatam por uma sociedade mais justa e equitativa, retomem a gestão do que é público e bem comum. Não se trata de estratégias de programas partidários, mas de espaços de fala em defesa dos direitos humanos. O ápice da refundação da política com novos fundamentos e inovações como ateliês legislativos, reuniões populares em que se formulam projetos de lei de maneira democrática e com responsabilidade.

Nas eleições municipais deste ano tem-se a possiblidade de edificar a cidadania, bem como o poder de decisão sobre a qualidade de vida dos munícipes em seus guetos. O que vai exigir mecanismos efetivos de participação e controle sobre a gestão pública, além de novas regras para o funcionamento político.

Percebo essas inquietações em expressividades das inúmeras pessoas engajadas nos projetos sociais de nossa cidade. Pessoas dispostas a fazer o bem, sem esperar algo em troca. Fazem, ao invés de reclamar. Estão dispostos em ver a mudança na prática.

Assim, surge outro questionamento: por que acreditar na política do país? Acredite, não há soluções fora dela. Sei que há motivos para descréditos, sobretudo aos inúmeros casos de corrupção. Contudo, não se pode generalizar, ou em protesto, não ir às urnas. O desinteresse só perpetua o exercício dos maus políticos. A apatia os alimenta e confere-lhe poder. O desalento afasta os cidadãos engajados por causa do sistema corrupto. 2020 é o ano de alimentar a esperança, de acreditar na política como força transformadora para os próximos anos que virão.

Aonde o futuro vai nos levar? Podemos descobrir juntos nas pequenas ações do cotidiano. Olhemos em nossa volta.

Mauri Oliveira – Jornalista e Radialista da 100,7 FM

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